Ratos e Homens entra na galeria dos obrigatórios. Toda a mestria de Steinbeck, numa curta novela.

É daqueles livros que se lê num ápice, tal a forma vibrante com que a escrita salta, numa clara identificação com a vida das personagens e as suas agonias. Passada na Grande Depressão americana, a história aprofunda a busca de dois indivíduos por trabalho e um sonho de ter um pedaço de terra.

George é o cérebro da dupla, até porque Lennie, o seu amigo, é considerado incapaz. Estes dois homens, sem grande educação, são inseparáveis e muito unidos. O objectivo é ir ganhando dinheiro, de ofício em ofício, até haver o suficiente para uma pequena propriedade, onde possam criar coelhos e assentar.

Enquanto George é visto como cuidador, Lennie é um homem forte, mas sem grande noção da força — vai adoptando pequenos animais que acidentalmente aperta e mata. Até que um dia, num diálogo com uma mulher, se enfurece com as suas provocações e provoca-lhe uma morte rápida e silenciosa.

Com a leitura de fundo de Ratos e Homens, percebemos que a história é muito mais do que a construção e ruir do sonho americano. John Steinbeck esconde outros sentimentos, como a solidão, o companheirismo e o sacrifício do trabalho, numa época de grande opressão dos patrões aos funcionários, ainda com muitas memórias herdadas dos tempos da escravidão. Um livro sobre a impotência dos homens que antes eram livres e se tornam servos, mendigando país fora, numa perda de dignidade e de condições.

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