Podia ser só os Ovos Moles, já seria razão suficiente para visitar Aveiro. Mas a beleza dos canais, redescobertos, trouxe recentemente outra notoriedade à cidade e a procura turística disparou em flecha. Os moliceiros que, à vela ou à vara, de proas reviradas e pinturas atrevidas, outrora serviam apenas para transportar o moliço – algas que serviam de adubo na agricultura da região –, rasgam agora, a motor, as águas dos canais cheios de turistas e guias (mais ou menos, mas esforçam-se…) poliglotas.
Aveiro é a cidade onde nasci e cresci, e onde me habituei a ver e a conviver com a beleza serena dos espelhos de água, a magia das marés que – muito antes das comportas – esvaziavam e enchiam os canais continuamente, das pontes para lá e para cá, das marés-vivas, da aflição das cheias. E, mais além, ria fora, do silêncio frio das manhãs no Areinho ou em São Jacinto e do estreito canal imperturbável das palmeiras do Jardim Oudinot.
Hoje, sempre que regresso a Aveiro, continuo a encantar-me com a ria e sei que é imperdível para quem a visita um passeio de barco pelos canais. Depois, é só perguntar a um local onde é a “Costeira” e ir comer Ovos Moles.
Estava a pensar ainda falar das enguias, mas prefiro não fazer muita publicidade com medo que entrem em extinção e não cheguem para mim.
Imagens de Isabel Santiago.





















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