Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, edição Relógio d’Água

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.”

Ler um livro escrito por uma personagem que morreu – é este o exercício que Machado de Assis leva aos seus leitores. Brás Cubas, meu herói literário, nasce rico e mimado; acolhido no seio de uma família burguesa. E reflecte, post-mortem, sobre o sentido da vida.

São relatos humorísticos fabulosos (sem ordem particular ou cronológica) das suas paixões, aventuras, da família e amigos. O amor encontra sempre a frustração, Brás Cubas viveu relações muito violentas. Este homem sofre, já morto, a memória de muitas aventuras falhadas.

Machado de Assis é um escritor profundo, senhor de um sentido de observação apurado. É muitas vezes considerado o Eça de Queirós brasileiro, e não é por acaso. Através da sua prosa, Machado vai descrevendo os hábitos sociais da época, criticando aqui e ali aquele tempo.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro muito humorístico e cativante. Um ensaio filosófico profundo sobre o ser humano e a vida. Mas sempre num relato inteligente, descontraído e leve – não estamos perante uma obra densa e inacessível.

Estou em crer que ler este romance será sempre um exercício bom e divertido. Diria mais: Machado de Assis passou a ser obrigatório.

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