Há dois anos pensei que não ia aguentar dois anos. Pouco tempo depois de regressar de licença de maternidade fui apanhada no furacão da reestruturação da empresa. Todos sabemos, mesmo os que insistem em olhar para o lado, que as mulheres são o elo mais fraco no mercado de trabalho e as mães são o elo ainda mais fraco. Há quem o saiba explicar melhor que eu, quem estude o fenómeno, quem analise os dados, o que eu sei é o que senti e o que sinto.

A forma como somos vistas pelas chefias e pelos colegas quando engravidamos, quando vamos a consultas, quando parimos, quando ficamos de licença de maternidade, quando usufruímos da dispensa para amamentação, quando ficamos em casa com os miúdos doentes e são tantas vezes. Aos olhos dos outros, até dos que têm filhos, tudo sabe a férias, a descanso, a aproveitamento, a preguiça, a indisponibilidade. E se estamos indisponíveis somos obviamente dispensáveis.

Num país com uma taxa de natalidade vergonhosa, a forma como as mulheres são vistas no mercado de trabalho explica em parte a escolha em não ter filhos ou em ter só um. A mulher saiu de casa, entrou na faculdade e no mercado de trabalho e, a par da realização pessoal, também se quer sentir realizada profissionalmente. Se a deixarem e criarem condições para isso ela consegue ser mãe e ter uma carreira.

Há dois anos pensei que não ia aguentar dois anos, mas aguentei e muito se deve a ser mãe, é a nossa força extra.

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